Dilma quis saber se Temer recebeu propina, diz Marcelo Odebrecht

Dilma quis saber se Temer recebeu propina, diz Marcelo Odebrecht

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Marcelo Odebrecht

Repasses ao PMDB foram solicitados a Márcio Faria, diretor de Óleo e Gás da empreiteira de Marcelo Odebrecht

Em um de seus depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada com a Lava Jato, o empreiteiro Marcelo Odebrecht assumiu pagamentos de propina para o PMDB e PT por conta do contrato PAC SMS da diretoria Internacional da Petrobras.

Segundo o delator, tanto a presidente da estatal na época, Graça Foster, como a então presidente Dilma Rousseff (PT) foram informadas sobre os pagamentos ilícitos.

Na conversa com Dilma, segundo Marcelo, teria transparecido que a então presidente queria saber se seu vice, Michel Temer, teria recebido valores oriundos do contrato.

“Eu contei tudo que tinha contado pra Graça pra ela. Presidenta, veja bem, não é justo o que Graça fez.. Eu achava que ela queria saber se Michel estava envolvido… mas você percebe que ela queria instigar quem era a pessoa que estava recebendo isso”, detalhou Odebrecht.

Os repasses ao PMDB, disse Marcelo, foram solicitados a Márcio Faria, diretor de Óleo e Gás do grupo Odebrecht, pelos então deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Por parte do PT, os repasses teriam sido tratados com o tesoureiro do partido João Vaccari

Questionado sobre os valores, Marcelo informou que não saberia o valor exato, mas que “foi relevante, foi 10, 20 milhões de reais” pagos na véspera da campanha de 2010.

Em 2013, uma auditoria interna da Petrobras contestou contrato com o grupo Odebrecht em torno de US$ 840 milhões para serviços em dez países.

Depois da análise, o montante a ser pago foi reduzido em 43% do valor original, a cerca de US$ 480 milhões.

O acordo incluía trabalhos de manutenção na refinaria de

Pasadena, no Texas (Estados Unidos), onde a Petrobras foi

investigada por ter firmado um contrato com falhas e comprado a

unidade por preço acima do de mercado, como revelou na época o

jornal O Estado de S. Paulo.

Em sua delação, Odebrecht contou que soube dos pagamentos

quando Graça Foster telefonou para perguntar se o PMDB havia

recebido valores oriundos do contrato.

“O que na época me foi informado, comentado, é que ela estava

preocupada era com esse tal pagamento que foi feito para eleição

de 2010 do grupo do PMDB”, explicou Marcelo.

Aos investigadores explicou que o caso foi diferente dos outros da

estatal uma vez que não era costume o político solicitar os

repasses.

“No caso a Petrobras, a conversa era com diretores, a mensagem

dos padrinhos políticos era pelos diretores”, explicou Odebrecht.

O PAC SMS foi um contrato de prestação de serviços para a área

de Negócios Internacionais da Petrobras, dentro do plano de ação

de certificação em segurança, meio ambiente e saúde.

O contrato guarda-chuva contempla vários países e, em 2011, foi

ampliado para incluir serviços específicos em Pasadena.

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