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‘Se ele ficar solto, quem terá a liberdade tolhida será eu’, diz Aida Nunes

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Aida Nunes
Aida Nunes

‘Se ele ficar solto, quem terá a liberdade tolhida será eu’, diz Aida Nunes

Agressões contra Aida Nunes aconteceram em janeiro de 2013, após a comemoração do aniversário da amazona.

A prisão do empresário Christiano Mascarenhas Rangel, no início da tarde desta quarta-feira (3), quando almoçava em um restaurante no Salvador Shopping, pode ser a única forma de alívio para a ex-namorada, a amazona Aida Nunes, mas também traz preocupação.

Ele foi condenado a quatro anos e cinco meses por agredi-la em janeiro de 2013. Aida teve traumatismo craniano e danos nos olhos e no ouvido.

“Eu e a minha família estamos muito preocupados com o que

pode acontecer daqui pra frente e, portanto, acredito que a prisão

dele talvez seja mesmo a única forma de fazer com que ele pare.

Se ele ficar solto, quem vai ter a liberdade tolhida será eu, já que

terei que me preocupar o tempo todo em me esconder dele”, disse

a amazona.

Nesta quarta-feira, Rangel foi preso e levado para a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em Brotas. A ordem de prisão foi dada pela justiça baiana depois de ele descumprir uma medida protetiva que o impedia de ficar a menos de 200 metros dela e de frequentar os mesmos locais que ela.

No entanto, segundo a defesa de Aida, Christiano foi à academia que ela frequenta há três anos e permaneceu durante 1h40 no mesmo espaço.

“Christiano me machucou muito, me causou diversos danos não só

físicos graves mas também emocionais, morais e materiais. Ele

destruiu o meu rosto! Tive traumatismos cranianos múltiplos,

lesões nos tímpanos e olhos. Poderia ter ficado cega e tenho

problemas no ouvido até hoje. Até hoje sofro também as

consequências do processo difamatório, onde ele tentou e

continua tentando me desqualificar como vítima”, relata Aida.

Na próxima quarta-feira (10), Christiano Rangel participará de uma audiência na Vara de Violência Doméstica, na presença de Aida.

O advogado dele, Fabiano Pimentel, disse ainda não saber o horário da audiência e falou também que não há prazo para o julgamento do pedido de habeas corpus, feito pela defesa na manhã desta quinta-feira (4) por considerar a prisão ilegal.

Penitenciária

Depois de prestar depoimento na Deam de Brotas, Rangel foi levado para o Centro de Observação Penal (COP) no Complexo Penitenciário da Mata Escura, onde passou a noite. Até as 19h30 desta quinta, Christiano permanecia na penitenciária, dividindo uma cela com outro detento.

Mesmo com o agressor preso, Aida diz se sentir ameaçada. “O fato de ele ter descumprido novamente a medida protetiva que o impedia de se aproximar de mim, me deixa perplexa, em pânico. Agindo assim ele está provando, mais uma vez, que não tem nenhuma consciência do crime que cometeu e que também não se importa com a lei, não respeita a justiça e a instituições. Uma pessoa assim, pode ser capaz de qualquer coisa”, relata.

Machismo

Apesar de tentar evitar reviver a agressão, a amazona diz se sentir no dever de se manifestar diante do problema da violência. “Não se trata apenas de uma questão individual minha, mas um problema que envolve toda uma sociedade que luta para erradicar o machismo, a violência e a cultura da impunidade no nosso país”, diz.

“Existem milhares de mulheres que são agredidas a toda hora no

Brasil e se eu, de alguma forma, puder influenciar alguma

mudança nesse panorama, então eu me sinto no dever de me

posicionar e compartilhar a minha situação”, afirma. Desde a

abertura do processo, em 2013, Christiano nunca se apresentou à

polícia.

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