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“A entrada virou um campo de guerra”, diz diretor do TCA após agressão a seguranças

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“A entrada virou um campo de guerra”, diz diretor do TCA após agressão a seguranças

Seguranças do Teatro Castro Alves foram agredidos por estudantes revoltados com mudanças na meia-entrada.

A estudante de geografia Juliana Sodré, 30 anos, teve que voltar para casa ao ter seu comprovante de matrícula rejeitado como documento de meia-entrada no show O Grande Encontro, que reuniu Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), na noite deste sábado (22).

“É constrangedor. Não estou preparada financeiramente para

complementar o ingresso e comprar uma inteira”, lamentou

Juliana, que estava acompanhada de dois amigos que

conseguiram entrar.

Assim como Juliana, diversos estudantes foram barrados e se revoltaram com a mudança nas exigências da cobrança da meia-entrada, causando tumulto na entrada do show.

Dois seguranças do TCA, inclusive, foram agredidos na última semana ao impedir o acesso daqueles que estavam sem a Carteira de Identificação Estudantil (CIE), único documento válido para poder pagar a metade do valor do ingresso.

Valnei Santos foi atacado com chutes, na porta do show do cantor Pedro Mariano, na sexta-feira (21) à noite, e Cosme Beléns foi agredido no rosto, na noite do dia 15. Foi prestada queixa, nos dois casos, e a 1ª Delegacia Territorial, nos Barris (1ª DT/Barris), está responsável pela investigação.

“É a primeira vez, em 24 anos, que me agrediram, não só com

murros, mas pontapés”, lamentou Cosme, em entrevista à TV

Bahia.

Em vigor desde dezembro de 2013, a lei federal 12.933 estabelece que a comprovação de meia-entrada para estudantes deve acontecer exclusivamente mediante apresentação da CIE.

A lei passou a ser cumprida com mais rigor depois que a União dos Estudantes do Brasil (UEB) entrou com uma representação no Ministério Público da Bahia (MP-BA), exigindo mais rigidez na aplicação da lei.

Diante disso, o MP notificou todos os equipamentos culturais e só o TCA já recebeu duas notificações neste ano.

“Não é uma decisão do teatro, nem do Ministério Público, é uma

lei federal. Há uma pressão enorme para que a gente aplique a lei

e os estudantes devem ter consciência. A notificação pode,

inclusive, fechar o teatro. Estou impressionado com o nível de

agressividade. A entrada virou um campo de guerra”, afirmou o

diretor do TCA, Moacyr Gramacho, 55.

Coordenador da UEB em Salvador e Região Metropolitana, o estudante de Administração Thauan Alves dos Santos, 24 anos, reforçou a necessidade da fiscalização. “Os estudantes têm que entender que muitas pessoas estavam comprando ingressos sem ser estudantes e outras estavam fraudando o comprovante para comprar meia. Os estudantes estavam sendo lesados. Com essa fiscalização e obrigatoriedade vai ser mais rigoroso, até mesmo contra as fraudes”, garantiu.

Polêmica

De acordo com a direção do TCA, foi feita uma intensa campanha de conscientização dos estudantes, nos últimos meses, para avisar que só seria aceita a CIE, a partir de 31 março, e a questão da notificação acirrou o processo.

Porém, na entrada para o show O Grande Encontro, muita gente se queixou de ter descoberto a mudança em cima da hora.

“Não vi isso em lugar nenhum! Na hora de comprar, a gente apresentou o comprovante de matrícula e o funcionário disse que o documento era válido. Só para comprar, né? Não para entrar. Como pode isso?”, questionou o administrador e estudante da Ufba, Valter Mangabeira, 51, que teve que completar a inteira para entrar no show.

“Sou a favor da carteira, mas isso devia ser avisado de outra forma. A punição está sendo retroativa”, disse, indignado.

segurançasIrritado, o estudante de Direito Tiago de Jesus da Conceição, 21, disse que soube da mudança na hora do show e teve que pagar a diferença.

“É uma novidade. Que absurdo, sempre usei o comprovante de matrícula. Desnecessário, viu?”, criticou. “Esses estudantes estão errados. Essa juventude, não sei não…”, reclamou, ao saber da ação da UEB.

Os estudantes ficaram divididos, diante da exigência da CIE. Alguns aprovaram a ação, como a estudante de arquitetura Elisa Lago, 27.

“Isso assegura que é um documento verdadeiro, né? O ruim é ter que pagar para comprovar que eu sou estudante. Nem todo mundo pode pagar para fazer uma nova carteira”, disse Elisa, que precisou pagar o complemento do ingresso.

Diante do impasse, o diretor do TCA, Moacyr Gramacho, disse que é importante fazer uma reflexão sobre o assunto.

“Como gestor, acho a lei muito exigente e deve-se repensar a aplicabilidade dela na prática. É necessário que haja uma reflexão pública, principalmente por parte dos estudantes. Qual é a polêmica? É uma lei federal. São representantes dos estudantes que estão exigindo que o teatro aplique sua lei na íntegra. Então, os estudantes têm que questionar a atitude da entidade estudantil”, afirmou.

Onde fazer

As pessoas que ainda não possuem a CIE podem solicitar sua carteira através dos sites da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), das entidades estaduais e municipais filiadas, além dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCEs) e Centros e Diretórios Acadêmicos – o DCE da Ufba, porém, ainda não está fazendo o documento. As carteiras de estudante têm o prazo de validade de um ano.

Na UEB, em Salvador, também é possível fazer o documento. Os interessados podem se dirigir ao posto de cadastramento, localizado no Orixás Center, no Politeama.

Os alunos precisam apresentar comprovante de matrícula atualizado e carimbado pela instituição, uma foto 3×4, documento oficial com foto e pagar uma taxa de R$ 30.

O horário de funcionamento é das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e das 9h às 13h, aos sábados.

“Esclarecendo direitinho o que é a lei, logo, logo as pessoas vão entender nossa ação”, garantiu o coordenador da UEB.

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